Mulheres da Minha Vida

Criei este blog, como complemento da comemoração dos meus 40 anos, que acontece este ano no dia 20 de setembro, aqui pretendo colocar os depoimentos de pessoas que fizeram e fazem parte da minha vida de maneira especial. Desde o fim de 2009, venho me empenhando para reunir os depoimentos de 40 mulheres para colocar num livro e agora que os tenho, quero partilhá-los com outras pessoas também.

Talvez muitos dos meus amigos perguntem, assim como meus irmãos já me perguntaram, mas por que não os homens também?? A resposta é simples, estou num momento muito especial de minha vida. E a vida me foi dada por uma mulher, claro que com a contribuição de um homem, mas a minha mãe teve um papel fundamental neste processo e quero valorizar a mulher.

Sou mulher, negra e feliz por ter a oportunidade de ter chegado até aqui!

Tenho certeza que depois da criação do blog, outras me escreverão. E estes terão um registro aqui.

E talvez seja um incentivo para aquelas que não escreveram, ainda me encaminharem algo. O material ainda não está pronto e acabado, contribuam com fotos e outros meios criativos.

Mas seja rápida, pois senão vai ficar de fora da comemoração!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Santilia, uma história de histórias

                                     


40 anos de Ana Claudia

Pensei que seria fácil falar de uma pessoa de quem gosto tanto, mas me intimidei em colocar no papel meus sentimentos, porque sabia que a saudade de tantos momentos viria à tona. Chamo-me Santilia, moro em São Paulo, tenho 41 anos de idade, sou professora da Rede Estadual de Ensino, solteira. Voltando para os meus 20 anos, foi nessa época que conheci a Claudinha, tempos bons aqueles... Eu participava do grupo de Jovens São João Batista e ela da Comunidade Nossa Senhora das Graças. Interessante que eu e a Clau vivemos tantos momentos juntas, que não consigo me lembrar ao certo em que época me deparei com ela. Mas me lembro muito bem de que certo dia estávamos conversando, e ela, aquela garotinha de fita branca no cabelo e saia comprida, com seus 17 ou 18 anos, disse que queria trabalhar. Nessa conversa, falei para ela que trabalhava numa Transportadora chamada Ser Ideal Transportes, eu era auxiliar de cobrança. A Claudinha falou que queria trabalhar para custear os estudos, então falei que estavam admitindo funcionários na transportadora e que a indicaria para a vaga. Resultado, a Clau passou a ser minha companheira de trabalho e, mais tarde, de cursinho e de tantos outros momentos que vivemos juntas.  Foram momentos de muita alegria: viajamos para o Estado do Espírito Santo, fomos para Vitória num Congresso da Igreja Católica; fomos para o Pontal do Paranapanema, com a Pastoral dos Sem-Terra, viagem muito cansativa, mas que valeu todo o esforço por uma boa causa, como disse Fernando Pessoa “Tudo vale a Pena se a alma não é pequena!”
Houve uma época em que saíamos para dançar. A Clau fez dança de salão com o pessoal da USP, assim, quando tinha baile, ela sempre me chamava, apesar de não saber dançar, eu ia!!  Ah, não posso deixar de contar que muitas vezes eu e a Clau íamos ao cinema, geralmente aos domingos. Engraçado é que, na maioria das vezes, eu assistia ao filme sozinha. Ela sempre dormia. Depois eu dava muita risada porque ela dizia que sabia tudo sobre o filme!!!
O tempo foi passando, a Clau se tornou uma mulher que admiro demais, porque sempre foi muito inteligente, determinada, otimista, dedicada, amiga... são tantos adjetivos que não cabem nestas linhas. Quero dizer que mesmo distante, Clau, você faz muita falta! Deve saber o quanto nossa amizade é valiosa. Tenho orgulho de ser sua amiga, desejo de todo meu coração que seus 40 anos sejam abençoados com muita saúde, paz, alegria, amor! Que daqui a 40 anos, possamos escrever mais um pouco de nossas histórias.

Beijos
San

Clécia, uma história de resistência


Sou Clécia da Silva Florêncio, tenho 35 anos, nasci em Caruaru, PE, sou filha adotiva. Quando nasci, meus pais biológicos queriam me deixar no hospital e um dos tios paternos quis me adotar com sua esposa. Como essa história é um pouco confusa, vou tentar resumi-la. Meu pai adotivo era casado com uma sobrinha dele que, por coincidência, é minha meia irmã. Supondo que não poderiam ter filhos, principalmente por causa do parentesco, quiseram me adotar. Logo depois disso, ela engravidou do meu irmão, que é meu primo e sobrinho também. Após três anos de casados, minha mãe adotiva nos abandonou. Ficamos, então, com meu pai e minha avó - falecida em dezembro de 2007. Nossa infância, apesar de um pouco traumática, foi boa. O pai e a vó sempre zelaram por nós. Sei que sempre demonstrei uma revolta maior, mas esta nunca foi por eu ter sido adotada, esse fato, aliás, nunca me causou frustração.

Meu pai (João) nunca foi um homem de expressar carinho, porém o que me faz ser apaixonada por ele é o fato de ele ter sido sempre um guerreiro, sempre trabalhou duro para não faltar o essencial, trabalhava à noite, pagava aluguel e ainda tentava estudar, pois, desde os cinco anos de idade, trabalhava na roça. Além disso, perdeu o pai muito cedo, e o pai dele tinha tido outra família que não ajudava ninguém. Quando meu avô morreu, seus filhos da outra família tomaram tudo da minha avó e dos meus tios. Meu pai, às vezes, fala que o único irmão que de vez em quando o ajudava era o meu pai biológico, o que me deixa um pouco confortada. Meu pai adotivo diz que muito me pareço com ele quando tento ajudar as pessoas. Eu diria que me pareço com meu pai adotivo, pois toda a minha militância pautei na figura dele: ele era operário e metido com sindicato e comissão de fábrica e, apesar de não ficar muito em casa, aquilo, não sei por que, não me deixava com raiva, pelo contrário. Ele dizia que queria que meu irmão fosse político, que política era negócio pra homem e, como sempre fui apaixonada por ele, me encantava com as coisas de que ele falava, das greves, do direito que as pessoas tinham que ter de fazer suas próprias escolhas, dos piquetes que impediam os pelegos de trabalhar. Achava tudo muito legal e divertido. É claro que eu não tinha noção do perigo que era, mas aquilo me marcou e encantou profundamente a ponto de sonhar com o dia em que seria uma operária, mas é evidente que nunca realizei esse sonho. Fiz vários testes e não passei em nenhum rsrsrsrsrs. Aos treze anos trabalhei na feira; depois, dos 14 aos 19, trabalhei em uma loja, onde era explorada. Fazia tudo, da faxina às compras em São Paulo, além de tomar conta do dinheiro. Vida dura, pois trabalhava de domingo a domingo. Chegava em casa, lavava minha roupa para depois ir à igreja onde, também, desde os treze anos, participava de um grupo de jovens, o june (jovens unidos na esperança). Foi ali que comecei a trilhar meu caminho na igreja católica. Hoje sei que aquele grupo era da renovação carismática e não tinha nada a ver com a Pastoral da Juventude, com o movimento pelo qual sou apaixonada até hoje. Conheci a PJ através do Zé Antônio, outra presença muito marcante na minha vida, uma pessoa que sempre foi extremamente apaixonada pela luta, pela cidadania e pela PJ, movimento que ele revolucionou na nossa paróquia, cidade e diocese. Afirmo isso, porque antes dele o que fazíamos era adoração a Maria e ao Santíssimo e algumas reuniões a cada três meses. Nunca nos misturávamos com os outros jovens, pois éramos da favela e considerávamos os jovens da matriz uns metidos esnobes e elitizados, pelo menos quase todas as comunidades achavam isso.

Mas a partir do Zé Antônio, tudo mudou para melhor. Ele conseguia agregar toda a juventude; conseguiu revolucionar as atividades, conquistando mais e mais pessoas. Claro que eu não posso deixar de citar outro amigão, o Paulinho. Tive a sorte de conviver na PJ com os dois sem queimar nenhuma etapa de participação nas instâncias pjoteiras. Fui aprendendo pouco a pouco o que é participação popular, cidadania, luta por direitos humanos e políticas públicas para a juventude, uma luta constante. Conheci também o Edson que foi por mais de 14 anos parte da minha vida, caminhando lado a lado comigo na PJ, no PT e na vida, pois namoramos e casamos. O casamento não deu certo, mas aprendi com ele o segredo de uma verdadeira cumplicidade e amizade. Hoje estamos bem afastados, mas não me esqueço de sua ternura e dedicação.

Eu nunca fui uma pessoa ligada à família, sempre fui muito dedicada às pessoas, ao próximo. Nunca tive privacidade nem para namorar, mas também nunca reclamei, afinal de contas eu fiz essa escolha e posso dizer que nunca, em momento algum, me arrependi por isso, de me colocar a serviço do outro. Pelo contrário, acho que ainda fiz pouco.

Atualmente estou afastada das minhas atividades porque em 2008 tive um tumor de 16 cm na medula. Fui operada e depois de um diagnóstico desfavorável, depois de fazer fisioterapia, andando lentamente para não depender muito dos outros, depois de ter sido cuidada por amigos que nem acreditamos que temos, ganhei a certeza de que Deus retribuiu em dobro o que fiz a outras pessoas.

Como apontei acima, muita gente marcante passou pela minha vida: toda a minha família que, mesmo sem muito da minha atenção, nunca me recriminou por eu ser assim, pelo contrário, sempre aceitou; meus amigos muito fofos, o Zé Antônio, o Paulinho, referências para a eternidade, e, nessa caminhada, conheci também a Ana Claudia, essa, sim, amiga também para todas as horas de agonia, angústia, partilha. Porque ter amigo homem tem algumas desvantagens, por exemplo não dá para fazer nenhuma fofoquinha rsrsrrsrsrs. Não quero dizer com isso que a Ana seja fofoqueira, heim? Quero dizer que com ela dá para falar de intimidade, de meninos, das coisas pastorais entre outras. Duas coisas me marcaram muito: sempre achei a Ana uma pessoa espetacular, inteligente, pra cima, divertida e achava que ela devia ser metida a rica, depois de tantas graduações, mas não, ela era e é muito humilde. Nos tornamos grandes amigas e ela até dormiu na minha casa. Para mim isso era o máximo, não pelo status que ela representava, mas pelo fato de ser tão humilde. Um outro fato que marcou muito minha vida foi o encontro nacional da PJ na Bahia. Lá nós brigamos feio por pontos de vista diferentes sobre a Romaria da juventude. Nós, da diocese de Santo André, sempre fomos muito metidos, sempre donos da razão e como não poderia ser diferente, discuti feio com a Ana. Foi uma discussão feia e, ao mesmo tempo, inútil. Mas é claro que a amizade sempre foi maior, fizemos as pazes e nos tornamos, por um período, amigas inseparáveis. É uma pena que esteja tão longe, porque a Ana é uma amiga que deixa a vida das pessoas mais iluminada, tem sempre uma resposta otimista, uma frase de consolo e sempre vê a necessidade alheia. É sempre os outros na frente dela; se der, ela resolve os problemas dela depois, o próximo é sempre prioridade.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Zeza, uma história de diferenças

Minha história é tão corriqueira: menina que casa nova porque está grávida, pensa que construiu um castelo de contos de fada e se depara com filho, marido, casa e o pior: muitas despesas, mesmo assim acredita que vale a pena tentar. Depois de poucos anos de casada, o castelo já se desmoronou e a realidade me coloca diante de uma relação problemática. Não demora muito para estar sozinha, traída, sentindo-me sacaneada, com apenas 24 anos e um filho de 4, tendo que decidir entre encarar a vida e ir em busca de conquistas ou ficar vivendo de uma mísera pensão. Escolhi a primeira opção.

Na minha adolescência, acho que não tinha muita coisa na cabeça. Só pensava em paquerar. Mas uma das coisas boas de que me lembro era da admiração enorme que eu nutria pelas ANAS, Ana Lucia, Ana Claudia e Ana Elisa. Achava as 3 tão inteligentes e independentes, contudo nunca quis ser igual às Anas, nem sabia o que eu queria, deixei, então, a vida me levar, como uma porção de adolescentes, que hoje fazem parte da minha vida profissional.

Uma das coisas que me fez parar para pensar na vida foi a morte do meu irmão Ni. Eu estava com 18 anos, e ele era realmente querido. Os amigos do grupo de jovens foram muito importantes naquele momento, não me esqueço do apoio que tivemos.

No entanto, acho que minha vida toma um rumo bem diferente após minha separação. Aí, sim, passei a ter noção da vida, do que queria, do que iria buscar, e não só isso, passei a ver o mundo, os defeitos e as qualidades, e, desde então, me vejo dentro desse mundo como sujeito responsável pelas mudanças.


Fica com Deus



ZEZA

Ana Elisa, Zeza, Luciana,
Dario e Ricardo
(irmãos)
Luciana, Zeza e Ana Elisa
(irmãs)


                                   


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Marlete, uma história em versos

Uma pequena história em versos



NASCE UMA MENINA

Nasce um olhar que atravessa

Nasce uma busca

Que vai além do real

O fundo mais profundo

Coisas não são coisas

Coisas vão além das coisas



Mistério

É mistério

O que está por trás das coisas



E no fundo a menina cresceu, viveu e entendeu

Que ela(e tantas outras) amadureceu

Agora menina, moça, MULHER

E O QUE QUER?



ESSES VERSOS SÃO DEDICADOS A VOCÊ, QUERIDA E AMADA ANA. Pela tua linda e corajosa trajetória de vida. A qual anima, fortifica e inspira tantas outras Meninas Moças.

Nélide, uma história de sorte



Garota de sorte

Pressupostos:

1)” o ponto de vista: para onde estou olhando” A primeira coisa que se deve ter em mente quando se lê uma estória é termos consciência que se trata de um único ponto de vista. Portanto, não fica difícil deduzir que o mesmo fato pode ser narrado de maneiras tão diferentes fazendo-o variar entre a tragédia e o conto de fadas.

2)” o ponto de vista: como me vejo” O que faz uma pessoa ser feliz é única e exclusivamente a maneira como ela se vê e vê as coisas ao seu redor. Exemplo: Cresci ouvindo meu pai falar que teve uma infância muito pobre e difícil, precisou abrir mão de sua meninice para trabalhar e ajudar no sustento da casa aos onze anos e por causa disso (e só por isso), aos onze anos ganhou seu primeiro par de sapatos, pois na farmácia onde trabalharia o foi exigido. Até uma semana atrás sentia muita tristeza ao lembrar desta história. Por obra do destino caiu em minhas mãos a biografia de um dos maiores presidentes que o Brasil já teve, e adivinhe???Sua estória é muito parecida com a do meu pai, pois assim como ele, JK só soube o que era ter um par de sapatos aos doze anos, a diferença? Ele não fez disso um fardo, uma tristeza, uma vergonha, ao contrário, lutou, estudou tornou-se Presidente da República e em exercício do seu mandato foi visto várias vezes descalço com a desculpa de não suportar sapatos...

Bom, agora sim posso falar desta tal garota de sorte, euzinha! (risos)

A sorte começa pelo nome, quantos em milhões mundo afora têm o privilégio de se chamarem NÉLIDE, pois é, e não para por aí, não, Nélide é na verdade a mistura de dois nomes, o que convenhamos, o torna ainda mais exclusivo.

Nél vem de Nelson (que, aliás, é o nome do meu pai) e Ide vem de Neide (e pasmem, minha mãe se chama Margarete). Tudo bem, eu explico. Acontece que apesar de ter o seu nome na jogada, o Nelson que inventou este nome não foi meu pai e sim um amigo dele cuja mulher se chama Neide...ufa!

Tive uma infância muito feliz, vida em família, muitas atividades sociais, a maioria delas relacionadas direta e indiretamente à Igreja Católica, onde meus pais namoraram, se casaram e da qual participam até hoje.

A adolescência foi barra, tive dificuldades para lidar com o mundo exterior, com as outras pessoas, senti a insegurança de me expor e não ser boa o bastante, senti medo de não gostarem de mim, e o pior de tudo: EU ERA MUITO DIFERENTE. Não na aparência, mas nos valores, e a combinação destes fatores me transformou numa adolescente problemática e chata.

Agora fala sério, apesar de problemática e chata, eu consegui me tornar a melhor amiga da Ana Cláudia. Daí você deve pensar: - ah, isso é moleza, a Ana é uma santa e gosta de todo mundo. Não, não meu chapa, eu e ela sabemos dos detalhes, e tenho muita sorte de poder dividir tudo isso com ela.

Eu conheço a Ana desde que me conheço por gente, pois desde que me conheço por gente participava da comunidade Nossa Senhora das Graças, em Osasco, e acho que ela também. Não sei precisar exatamente quando e porque nos tornamos melhores amigas, mas sei que um dos principais fatores foi justamente aquele que me separava da maioria dos adolescentes da escola, os valores. Conversar com a Ana era tão fácil para mim, porque estávamos na mesma sintonia. Fora a afinidade, sempre gostamos de bons livros, filmes, teatro, exposições, e fazíamos disso nosso passa tempo.

Vivemos histórias hilárias juntas, rimos mais que choramos, dividimos, ocultamos, erramos, aprendemos, vivemos como as melhores amigas o fazem.

Uma das coisas que marcou esta nossa época (que vou chamar de juventude), foi a nossa busca pela cara metade. Era engraçado, a gente queria encontrar logo alguém para ser feliz, queríamos nos apaixonar loucamente, mas faltavam candidatos. Chegamos a pensar em fundar uma associação - a AMEM (Associação das Mulheres Encalhadas Mesmo). Fazíamos mil projetos entre uma taça de vinho e outra, e um deles, era escrever uma manual para ajudar os homens a conquistar uma mulher.


Então veio o exílio, me mudei para longe por questões profissionais e ficaram muitas saudades, lembranças e um contato esporádico mais intenso.

E lá vem a famosa sorte para me salvar. No exílio, finalmente, encontrei minha cara metade e com ele, após dez anos de amor, aprendizado, crescimento, e tudo o que tempera uma relação a dois, me tornei mamãe do Lucas e da Luiza, hoje com um ano e quatro meses.

No exílio, aprendi a encontrar um Deus Maior dentro de mim mesma. Não conseguindo ir à Igreja, aprendi que se pode ter amigos que sejam tão diferentes de você que o façam olhar para si mesmo e pensar: “como posso ser assim?” e, mesmo assim, amá-los, respeitá-los e aprender com eles todos os dias. Aprendi a dar maior valor a coisas pequenas como um lindo dia de verão, o cheirinho do café que só a mãe da gente faz, aprendi, aprendi, aprendi e cresci, finalmente me tornei mulher.

Hoje sigo aprendendo e por ironia do destino, a Ana está no exílio. Seguimos aprendendo cada uma a seu modo, rindo mais que chorando, dividindo, ocultando, errando, aprendendo, vivendo, como as melhores amigas o fazem, e, ao meu ver, para ter tudo isso, só sendo mesmo uma garota de muita sorte.


Nilza, uma história de utopias


Oi, Ana, tudo bem? Saudades de você...

Antes de mais nada, me perdoe por não enviar antes. Espero que ainda dê tempo e que seja o que você precisa.

Como você falou que tinha que ser algo resumido, escrevi algumas palavras em forma de depoimento.

Sonhos, utopias, desejo de mudanças...

Foi isso que nos aproximou e nos uniu.

Embaladas por canções de protestos, amor fraterno e amizade, seguimos (e seguiremos) durante todo o tempo na esperança de que um dia veremos um mundo diferente, melhor e mais justo.

Quando conheci a Ana Cláudia, eu pouco falava com ela. Tinha receio porque ela sempre estava à frente das coisas, falando para as pessoas, liderando o grupo... e eu pensava: “nossa que gigante é esta mulher, apaixonada pela vida, pelas pessoas”. Pensei que sempre a admiraria, mas que jamais seria próxima dela.

Eu tinha razão: a Ana sempre foi uma mulher gigante na sua nobreza de amar sem precedentes, e de se doar ao outro/ outra somente por reconhecer em cada pessoa a imagem de Deus que nos faz irmãos e irmãs; isso faz com que minha admiração por ela sempre cresça.

Mas eu errei quando achei que jamais nos aproximaríamos, pois justamente este gigantismo a fez humilde, humilde o suficiente para se aproximar de todas as pessoas que a cercam, inclusive, eu.

Tornamo-nos mais que amigas, tornamo-nos irmãs, tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais!

Juntas, vivemos muitas aventuras nesta busca utópica de “mudar o mundo”, assim como fez há muito tempo “um tal Jesus”.

Foram encontros de formações, projetos sociais, celebrações, choros, sorrisos, manifestações... histórias que não cabem em um livro, nem em dois, três... estão marcadas como ferro quente na pele, na caminhada da vida de cada uma de nós. São histórias que nos alimentam e impulsionam a fazer ainda muito mais e que nos mantêm unidas, apesar da distância.

Sheila, uma história de dinamismo

Meu nome é Sheila da Silva, tenho 34 anos, adoro as coisas simples da vida, a brisa tocando o rosto, um olhar, um sorriso, um abraço carinhoso, adoro música - ouvir e principalmente dançar, também gosto de teatro, cinema; amizades? Quanto mais melhor; um defeito? Falar demais...rsrs.
Já fiz muitas coisas durante estes anos de vida, pulei a adolescência/ juventude, obtive a minha maturidade bem cedo, aos 18 anos de idade "virei o homem da casa", assumindo todas as contas, etc. Durante muitos anos, vivi pela minha família, pelos outros (fui catequista desde a primeira comunhão até a crisma, trabalhei com a Pastoral da Criança por 5 anos, com a PJ por 8 anos, fui ministra da eucaristia, ministrei aula de alfabetização para adultos durante um ano, etc.) e nunca fazia nada por mim. Vivia triste, chorava muito, mas por mim, apenas por mim. Nunca irei me arrepender de tudo o que fiz pela minha família. Os anos foram passando e aos poucos eu percebi que precisava cuidar de mim. Demorou para eu criar coragem e abrir mão de determinadas coisas. O trabalho de quase 12 anos foi uma destas coisas, mas posso afirmar sem dúvida que hoje sou uma pessoa muito mais feliz. A cada dia sinto que vivo com muito mais intensidade, pois vivo constantemente pela minha felicidade....
Ainda tenho muito o que percorrer, mas sigo feliz!!! - Como diz Almir Sater: "Ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais, hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe, eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei... Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para florir.”
Bom, vamos ao que interessa... Ana Cláudia Brito de Moura, esta mulher guerreira e sensível... Como conheci a Ana? Com certeza em um dos muitos eventos da PJ - Pastoral da Juventude, para quem não sabe. A Ana era realmente casada com a PJ... rsrs
Em todos os eventos da PJ a que íamos, já chegávamos observando onde a Ana estava com suas muitas camisetas, de todos os tipos e gostos, dos "Pjoteiros". Era ela mesma quem fazia tudo... sempre com muita dedicação e carinho.
A Ana se dedicava a tudo relacionado com a PJ de maneira extraordinária, tudo mesmo...
Minha aproximação maior com a Ana foi quando tive o prazer de participar da equipe de coordenação do Dia Nacional da Juventude (DNJ) de 2000. Começamos a nos reunir já no ano de 1999, e a maioria das reuniões foi realizada na casa dela, onde éramos acolhidos como se fôssemos da família. Havia ali pessoas de diversos lugares: Guarulhos, Ribeirão Preto, Santo André, Campinas, etc... Foram momentos mágicos nos quais pudemos traçar laços de amizade para a vida toda... e a Ana adorava aquela bagunça de Pjoteiros. Os olhos dela brilhavam sempre de encantamento... A dona Ana, mãe da Ana Cláudia, fazia cada comidinha deliciosa. Houve uma dessas reuniões em que ela fez feijoada, acreditem... feijoada, com direito a laranja já descascada... A dona Ana também é uma pessoa maravilhosa, tenho certeza de que o coração da Ana Cláudia é igualzinho ao da dona Ana, sem tamanho, imenso até perder de vista.
Houve um evento da PJ, no Ginásio do Corinthians, não me recordo a data... rsrs... Isso faz parte da idade... rsrs... e quem estava lá, vendendo suas mágicas camisetas? Ana Cláudia, claro. Eu fui para levar os jovenzinhos da minha paróquia e fiquei o dia todo ajudando a Ana na venda das camisetas, e ela, ao final do evento, fez aquela carinha que só ela sabe fazer, me agradeceu grandemente e me deu uma camiseta.
O chá de cozinha da Ana não foi um chá de cozinha e, sim, um chá de lingerie, acreditem... a Ana fez um chá de lingerie... rsrs... também tive o prazer, junto com a Nana, de participar deste momento com a Ana, e foi demais viu, divertidíssimo, simplesmente amei....
O casamento? Nossa, este episódio é de novela... rsrs
Eu, Naná e Silvio (na época namorado da Naná, hoje esposo), e meus afilhados claro... rsrs vivemos uma verdadeira aventura para estarmos presentes no casamento da Ana Cláudia... Aquele sábado era o dia mais frio do ano, frio mesmo, de verdade...rsrs... Como eu nunca soube chegar em Osasco de carro, combinamos de ir de ônibus, metrô e trem. Reservamos um hotel no centro de Osasco, saímos de Guarulhos, acho que umas 11h, não lembro ao certo, enfrentamos frio e garoa, e de malas... rsrs... chegamos ao Hotel. Deixamos as malas e fomos resolver algumas coisas na rua... Voltamos, colocamos os trajes de gala e pegamos o ônibus para o Novo Osasco, onde seria a cerimônia ecumênica, e o frio ficando ainda pior. A igreja estava linda: do lado de fora havia as bandeiras do Brasil e da Alemanha, uma farta mesa cheia de pães caseiros, trigo, a parte interna toda decorada com as cores do Brasil e da Alemanha. A cerimônia foi maravilhosa. Eu me lembrei de nossos bons tempos em celebrações da PJ e chorei... Tive o prazer de segurar uma rosa que fez parte do arco que foi feito para a entrada da noiva Ana... demais... A festa? Sem comentários, né, muuuuuuuuuuuita gente animada, todos dançando e se divertindo, revimos algumas pessoas da PJ também... foi um final de semana geladérrimo quanto ao clima, mas foi super quente em relação ao carinho especial que temos pela Ana. Valeu muito a pena ter passado aquele frio, viu, porque nossos corações e alma ficaram muito mais cheios de amor!!!!
Depois do casamento, vimos a Ana das poucas vezes que ela voltou ao Brasil, na casa da mãe dela, na despedida no aeroporto. Às vezes conseguimos conversar virtualmente... e assim vamos aquecendo esta amizade por esta pessoa incrível e maravilhosa que é a Ana Cláudia....
Pois é, Ana, você tem razão em relembrar as sábias palavras cantadas por Cazuza "O tempo não para", estamos em constante movimento, acontecem inúmeras coisas numa fração de segundos... então, por que não vivermos intensamente cada fração de segundo que temos???
Ana, eu a parabenizo por ser esta mulher guerreira e sensível, corajosa e intensa... Desejo de coração que você seja muito mais feliz. Que Deus continue te abençoando, cada dia mais e mais. Afinal, completar quarentão não é para qualquer um não hein... e na sua condição, então, que tem muitos e muitos amigos maravilhosos ao seu lado, apoiando e incentivando...
Seja maravilhosamente FELIZ SEMPRE!!!
Super beijos e abraços carinhosos
Da sempre amiga Sheila
Guarulhos/SP

Nazaíre, uma história de emoção


Falar da Ana e da nossa amizade não é tão fácil para mim, sou uma pessoa cheia de memórias, mas assim como meus papéis e livros, são memórias desorganizadas...
Não tenho memória temporal, ou seja, não tenho memórias de datas, anos, meses...
Minha memória é mais afetiva, apega-se aos fatos marcantes, sensações, cheiros, e os guarda em algum cantinho do meu cérebro para serem rememoradas sempre que a saudade pedir... Por conta disso, não sei dizer precisamente há quanto tempo conheço a Ana, mas com certeza já são quase duas décadas...
E esse tempo me proporcionou desfrutar do convívio dessa pessoa tão marcante, tão forte, tão simples e tão sincera, mas ao mesmo tempo tão complexa e frágil. A Ana, além de ser humano é uma instituição por conta dos seus valores e de sua história junto à juventude católica brasileira. E a maioria das pessoas conhece só esta face de Ana. Não conhece como eu e alguns privilegiados a Ana Cláudia mulher que tem os mesmos problemas, anseios e medos que qualquer uma de nós.
Lembro com clareza do nosso primeiro encontro: eu recém chegada à PJ, representava minha diocese pela primeira vez num encontro de sub regional, onde a minha cidade e a dela estavam alocadas. Estava toda encantada com isso, era importante para mim, porque era a primeira vez que viajava para representar minha diocese, se é que podemos chamar viagem sair de Guarulhos e ir até Mogi das Cruzes. E existia toda uma paixão inicial pela Pastoral da Juventude que me empolgava e me movia naquele momento. Chegamos na sexta-feira à noite e fui apresentada a algumas pessoas, mas nesse dia a Ana chegou bem tarde e só fui conhecê-la na manhã de sábado.
E esse primeiro encontro foi especial: após o café da manhã, foi feita uma dinâmica para integrar os participantes e, por coincidência, a Ana foi minha parceira nesse momento em que eu deveria apresentá-la aos presentes e vice-versa... Eu já havia ouvido muito falar da Ana pelos meus companheiros de pastoral, que já estavam acostumados a esses encontros nos quais ela sempre fazia a diferença. Isso significa que, para mim, a ANA CLÁUDIA, de Osasco era um mito... Imagine, então, no meu primeiro encontro, ter o privilégio de dividir alguns momentos com ela... Só sei que, alguns encontros mais tarde, a Ana se tornou uma grande amiga... acabei me tornando secretária regional da Pastoral da Juventude e por isso, por muitas vezes, viajamos juntas, ela já como assessora da PJ de São Paulo. E nessas viagens nossa amizade se intensificou, era quando tínhamos um tempinho para falar da vida pessoal, dos nossos objetivos, casos amorosos, desafetos e problemas e, com isso, cada uma de nós ia conhecendo a outra mais um pouquinho...
Ah, e tinha a casa da ANA. A casa da Ana era uma espécie de quartel general da PJ de São Paulo e por isso vivia lá. Volta e meia reuniões eram marcadas no quartinho da Ana Cláudia: dividíamos espaço com cartazes, livros, atas e uma papelada sem fim... e acabava dormindo lá. Eu e tantas outras pessoas que contávamos com a hospitalidade da Ana e de sua família... dividíamos lanches, dividíamos colchões, dividíamos sonhos... Só não dividíamos dinheiro porque ninguém tinha nada! Mas era um tempo de uma felicidade inexplicável, em que sonhos coletivos se sobrepunham aos sonhos pessoais...
Mas um dia eu fiz uma opção; dessa data eu me lembro muito bem: Janeiro/2001! Resolvi que meu tempo na PJ havia terminado! Estava exausta e havia me abandonado demais, também estava decepcionada com minha paróquia e meio incrédula frente a algumas ações da hierarquia da Igreja que pude conhecer mais de perto por conta da minha posição na PJ... Havia outras alternativas de trabalhos pastorais a serem feitos, mas eu decidi que me afastaria totalmente até que sentisse que deveria voltar (e esse tempo ainda não chegou).
Comuniquei a todos e à Ana que eu sairia da PJ. Lembro-me vagamente de que Ana me falou de continuar em outras frentes, mas eu, realmente, estava certa da minha opção e, naquele momento, pensei que estaria definitivamente deixando tudo para trás, mas não foi bem assim...
Nos primeiros meses me empolguei com a minha nova condição: tinha agora tempo para mim, ia para a balada, viajava; me envolvi emocionalmente com algumas pessoas erradas, conheci meu grande amor, fugi dele, voltamos... e por esse tempo fiquei distante das pessoas da pastoral. Em Agosto deste ano, fomos, eu e a Sheila (outra pessoa especial que também tem a sorte de conhecer a Ana) à Campinas, para o Congresso Eucarístico Nacional. Queríamos aproveitar esse momento especial para rever os amigos da PJ, e encontrei a Ana. Batemos um papo rápido - ela estava envolvida com uma atividade da PJ - senti-me estranha depois... senti que não dava para deixar para lá a amizade que construí com a Ana e nem com outras pessoas da pastoral...
Voltei para Guarulhos pensando em como eu poderia estender essa amizade além de um grupo social, em como trazer a Ana para a minha vida pessoal... Foi então que num dia daquele mesmo ano, resolvi ligar para a Ana e batemos um longo papo... um papo que não girava em torno da PJ... Eram duas velhas amigas que agora conversavam sobre a vida. E depois disso, nesses últimos 9 anos, outros papos vieram, uns raríssimos encontros, um almoço na Ana para apresentar o homem que começara a fazer parte da minha vida no mesmo ano que abandonei a PJ... e foi por fone mesmo que ela me contou do seu namoro, dos seus planos... outro almoço para ver as fotos da viagem da Ana para a Alemanha ... E um dia a Ana me avisa:
-Vou casar, vou embora...
Engraçado que, quando me contou isso, fiquei preocupada e assustada com a possibilidade de nunca mais falar com ela. Talvez isso seja culpa do mundo louco onde vivemos. Mas, ao contrário, nos falamos mais hoje do que nos 9 anos anteriores...Fui a seu chá de cozinha e novamente, como uma despedida, dividimos o mesmo quarto para dormir... Fui ao seu casamento e registrei, nessa minha memória totalmente emocionalmente conturbada, sua felicidade e emoção... Fui ao aeroporto por 3 vezes me despedir da Ana e, em toda nova despedida, fico torcendo para que o nosso próximo encontro seja breve... E me preocupo toda vez que fico muito tempo sem notícias: se tem uma forte nevasca na Alemanha, se existe alguma coisa esquisita em qualquer lugar da Europa... Acho que essa preocupação só tem uma explicação que uma frase feita pode resumir: “Amigos verdadeiros são irmãos que escolhemos!”. Ela não pôde estar no meu casamento, chegou dias depois... mas sua família estava lá e senti que eles, em especial Dona Ana, eram minha família também.
Com isso tenho certeza de uma coisa: a ANA é uma irmã com que a vida me presenteou!

Eliana (Xuxu), uma história de escolhas

Eu, Eliana, tenho 39 anos, sou aquariana, Operadora de Telemarkenting, faxineira, dona de casa e muito feliz.
Sou amiga da Claudia desde muito pequena quando brincávamos juntas. Em tese, temos a mesma idade, mas propósitos de vida bem diferentes. Na infância nos víamos sempre. Já adolescentes, nossas vidas foram se definindo e passamos a nos ver menos.   
Um momento interessante em nossas vidas foi quando a Claudia pegou o carro para dirigir e fomos ao SENAC de Osasco, onde ela apresentou uma palestra. Foi nesse dia que vi o quanto ela era importante para todas aquelas pessoas que lá estavam. Foi bem legal.
Ela em si é uma pessoa sossegada e sempre disposta a ajudar e a ouvir quem quer que seja, não julga ninguém, nem interfere na vida das pessoas. Só ouve. Nesses 40 anos, eu desejo a você tudo de bom e que continue sendo essa pessoa amiga de todos nós.
Obrigada por tudo,


Xuxu

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Rosemary, uma história de mulher

Uma mulher... quando penso nisso, fico a imaginar... como? Uma mulher!!! Sim, sou uma mulher... quem diria que um dia eu seria. Sinto-me ainda como se tivesse 15 anos. Lembro-me dessa idade! Ah...quero ter 15 anos para sempre! A melhor idade. O tempo passou... claro! Não para. Cheguei aos 18. Várias experiências, possibilidades e... responsabilidades. Assumir uma casa, assumir as rédeas da própria vida. Para quem não escolhia nem as roupas que vestia.
Então, a Igreja. Encontrar pessoas que tinham os mesmos desejos, mesmos anseios. Li um livro: Olho vivo, Juventude!
Ainda me lembro da frase que eu disse: “É isso! É nisso que acredito.”  Evangelizar a juventude, despertando o senso crítico, desenvolvendo a fé, conhecer e lutar pelo Reino de Deus.
Eu acreditava! E encontrar pessoas com as mesmas idéias, pensamentos, desejos foi fundamental para a minha formação enquanto pessoa, enquanto ser humano.
Conheci a autora do livro, Ana Cláudia de Brito Moura. Fazíamos parte do mesmo grupo, a Pastoral da Juventude. E nela vivemos muitas, muitas e muitas situações: cursos, encontros, palestras, reuniões, gincanas, campanhas, abaixo assinados, protestos, viagens... tudo para e com a juventude.
Um mundo melhor! O Reino de Deus aqui na Terra! A civilização do Amor! Cidadania! Outro mundo é possível, lema do Fórum Social Mundial.
Mas a vida não é só sociedade. Há a vida pessoal e individual que precisa ser desenvolvida.
Assim, longas conversas, os bate papos, os barzinhos da vida. E nesse contexto, amizade. Amizade verdadeira. Daquelas que vou levar para o resto da vida... e depois dela também. Sou o que sou porque tenho um pouco de cada um e cada uma que passou pela minha vida.
A terapia grupal. E assim, a vida... encontros, reencontros... e hoje, o reencontro com Ana Cláudia. Amores e desamores... e hoje, Ana casada.
Lembro-me do casamento. Quanta honra... fui uma das madrinhas. Aprontamos e depois ficamos com receio de criar um conflito com o noivo depois da despedida de solteira. Fizemos uma festa de despedida de solteira... meio diferente. Estávamos inspiradas naquele período. Convidamos as amigas da Ana e uns rapazes para Streep tease. Todas pensaram que eram profissionais. Mas eram meus primos e seus amigos bonitões. Foi bem divertido. Tudo com muito respeito, claro!
Depois que a Ana casou, passei a acreditar que aquela história de pegar o bouquet da noiva pode funcionar. Meu namorado (naquele dia) pegou o bouquet. Quase apanhou! Teve que devolver, pois as moças estavam eufóricas! Um pouco mais de um ano depois, ele casou. Não foi comigo. Funcionou, afinal, quem pegou o bouquet foi ele e não eu.
Quem diria, depois de tantas aventuras juntas, em que Ana e Keli faziam complôs para ver se eu ficava com alguém, vejo o quanto evolui. No dia do casamento da Ana, meu namorado e primo, foi meu parceiro padrinho do casamento. Alguns meses depois, Ana veio ao Brasil passar o Natal e um dos nossos passeios foi na Paulista. E lá estava eu com um “amigo”, de quem eu queria ser mais que amiga, apaixonada! De novo! E hoje, um ano e meio depois, estou namorando outro, não o amigo. Mudanças. É assim quando a gente se permite viver.
Quantas mudanças profissionais. Sou professora. Estive coordenadora pedagógica em duas escolas e hoje, coordenadora pedagógica numa Secretaria de Educação. Muitas escolas, muito aprendizado, partilhas. E em breve, outra faculdade: Psicologia. Levo jeito. E talvez, um mestrado em Psicologia Educacional. Por que não?
E eu... mulher!
Resultado de toda uma juventude de crenças, de fé, de ações, de vida, com os mesmos anseios, mesmos e outros desejos, lutas e crença num mundo melhor. Um outro mundo possível com Educação.
Atualmente, trabalho tanto quanto antes, namoro mais, brinco mais, curto mais a família, os amigos, os passeios, participo mais, vou mais à igreja, sou mais feliz, mais equilibrada. São meus desejos.
Beijos à querida amiga Ana Cláudia.
Rosemary

Regina, uma história de evolução



Sou Regina Célia Crivelaro. Meu nome foi escolhido por minha irmã, Neuza, que já se foi há 1 ano. Não nego que adorei a escolha.
Tenho 52 anos e farei 53 em 20/03. E, dentro de todo esse mais de meio século de existência, tenho que agradecer a Deus por tudo o que aconteceu e acontece em minha vida.
Tenho dois filhos maravilhosos, Monica(31 anos) e Leandro(28), que são a principal razão da minha vida. Mesmo não estando pessoalmente presentes sempre, estamos ligados por uma energia maravilhosa... E também tenho um cãozinho que adoro e é uma feliz companhia.
Fora desse convívio familiar, tenho muitas amigas e amigos com quem posso contar sempre, e todo o pessoal da família (irmãos,sobrinhos etc...)
E dentre todos eles, há uma pessoa especial que é  a Ana Claudia. Tive o prazer de conhecer a Ana quando fui coordenadora do período da tarde na Cemei, lugar onde  me aposentei em 2007, como professora. Ela trabalhava no período da manhã, como professora da creche, portanto não tínhamos muito tempo de papear, assim mesmo sempre dávamos um jeitinho nos intervalos. Foi aí que descobri essa pessoa maravilhosa, educada, bem informada, simpática e competente que é.
Algum tempo depois, soube do seu namoro pela net; logo depois de sua viagem para a Alemanha para conhecer o pretendente pessoalmente. Lembro-me até que preparou um jantar para as amigas antes de viajar e não pude ir. Logo em seguida, veio seu casamento aqui no Brasil e depois na Alemanha.
Algum tempo depois, veio ao Brasil, conversamos um pouco e trocamos umas experiências e informações sobre Europa e Ana contando da sua adaptação ao casamento, ao país etc.
Encontrei Ana umas duas vezes depois, quando vinha visitar a família, arrumava um tempo para nos ver na creche também e trazer umas balinhas gostosas da Alemanha, e com prazer vi seus álbuns de casamento, por sinal maravilhosos!
Tenho o prazer de tê-la como amiga e espero nunca perder o contato.
Estive na Flórida pela primeira vez no casamento de minha filha, em 2005. Depois mais três vezes, e me despertou a vontade de morar lá. E hoje ela casada há 5 anos, já cidadã, passou-me a residência legal, por isso é o momento de aproveitar a oportunidade e usufruí-la, adquirindo novas experiências, nova cultura, conhecendo pessoas e quem sabe um bom companheiro também... mas, principalmente, aproveitar a companhia de minha filha que mora longe há 10 anos. 
Mas independente de tudo isso dar certo ou não, sou uma pessoa feliz!!! Fiz muitos amigos e amigas no Brasil, adoro esse país! e Deus nos manda tudo o que precisamos para nosso crescimento e evolução....e não tudo o que pedimos...
Ana, fiquei muito feliz com o convite e também por fazer parte da história da sua vida. Desejo a você de coração que seja sempre feliz e realizada, e fica aqui meu convite para me visitar no meu novo endereço, que te passo assim que tiver.
Um grande beijo e que Deus te ilumine e acompanhe sempre!!! E que sua relação com seu marido seja de muito respeito e cumplicidade.

Regina e Leandro (filho)
Regina e Monica (filha)
Regina e irmãos

Marcela, uma história de simplicidade


Meu nome é Marcela Pereira, tenho trinta e seis anos de idade, sou solteira, trabalho como secretária, na Paróquia do Santuário Mariano Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Pindamonhangaba.
Comecei a trabalhar com a Pastoral da Juventude em 1992, da qual participei de vários eventos e cursos, como Assembléia, CDL, Concílio de Lins e Romaria da Juventude. Hoje trabalho com a Catequese de adulto e Pastoral Vocacional do Sub de Aparecida. Mas chega de falar de mim, vou falar da minha amizade com a Ana Claudia.
Dizem que amigos são presentes de Deus e eu acredito fielmente nisso, pois Ele me deu uma grande jóia que com o seu jeito simples de ser e com um amor imenso pelo que faz me mostrou que, quando gostamos de alguma coisa, temos que vestir a camisa e ir à busca dos nossos objetivos e isso me ajudou muito no início de minha caminhada. Como sinto falta de nossas reuniões na casa da Ana. Isto é, não sei se era casa, escritório ou loja; acho que era um pouco de tudo, mas enfim era um lugar aonde chegávamos e nos sentíamos bem acolhidos, não só pela Ana, mas pela família toda.
Um fato de que nunca vou me esquecer, sem deixar de citar a aventura que era chegar à casa da Ana (os grandes amigos ajudam em qualquer hora, mesmo que seja às cinco horas da manhã numa das Romarias da Juventude em Aparecida), foi o dia em que a Ana me pediu para vender as camisetas da PJ.  Estava um frio danado e uma neblina que não deixava ninguém enxergar nada, mas nós estávamos lá, alegres, vendendo as camisetas, tempo bom que não volta mais.
Minha querida amiga, agradeço a Deus pela sua amizade e carinho que, apesar da distância, temos uma com a outra, tem uma frase da qual gosto muito que diz:  “amigos são como o sol, pode não aparecer todos os dias, mas sabemos que ele existe.”
Desejo-te muitas bençãos e graças de Deus em sua vida, um grande abraço cheio de saudades desta sua amiga que lhe quer muito bem.
Marcela

domingo, 12 de setembro de 2010

Lucimar, uma história de adaptação


Querida Ana Cláudia

Meu nome é Lucimar Maria da Silva Kraus. Sou brasileira, tenho seis irmãs e quatro irmãos, portanto somos uma família bem grande. Tive uma infância tranquila em Santos Dumont, cidade com 60 mil habitantes. Só não pude brincar mais do que brinquei, porque tive que ajudar a cuidar dos irmãos mais novos.
Sou feliz e agradeço a Deus por ter saúde e energia positiva. Sou casada com Hans-Georg Kraus e moramos em Ulm, Alemanha, desde 2001. Meu marido é alemão e nós nos conhecemos em Juiz de Fora, no ano de 1998, quando ele trabalhou no Brasil. Naquela época eu ia muito a bailes e o conheci em uma discoteca, embora ele não goste de dançar.
Sinto saudades daquele tempo em que dançava muito, pois o fazia com prazer, além de me manter esbelta. Estudava à noite, em uma escola de dança, às terças e quintas feiras. Aos sábados e domingos, ia ao baile com algumas amigas, para treinarmos os novos passos, que havíamos aprendido.
Acho que já está mais do que na hora de fazer minha matrícula em uma escola de dança, aqui em Ulm!
Gosto de morar na Alemanha assim como também gostava de minha vida no meu país de origem. Tenho facilidade de adaptação e penso que se pode viver bem em qualquer país, quando se está bem consigo mesmo. Eu, pessoalmente, procuro estar satisfeita com o que tenho e não ficar só pensando no que não tenho. Procuro também evitar fazer muitas comparações entre os dois países, pois creio que são bem diferentes.


Sou Psicóloga e atualmente não estou trabalhando em minha profissão. Aos 40 anos, quando consegui diminuir a carga horária do meu trabalho, iniciei meu Curso de Psicologia. Em minha classe, éramos 53 mulheres e dois rapazes. Um deles eu já conhecia, pois morava na mesma cidade que eu. Nós dois, bem como outros estudantes, viajávamos de ônibus, de segunda a sexta feira, após o trabalho, durante uma hora, para irmos à Faculdade. Depois da aula, voltávamos para casa.
No princípio foi difícil a questão da adaptação na sala de aula, pois a maioria das colegas de turma era 20 anos mais jovem do que eu e tinha outros interesses. Elas só viviam para estudar e eu tinha que trabalhar durante o dia e estudar à noite. Tínhamos bastante trabalho em grupo, portanto era necessário que nos comunicássemos. Depois de alguns meses, vencendo minha timidez, fui me aproximando das pessoas e elas foram se interessando pela minha vida. Resumindo, no final do curso, fui escolhida para fazer uma leitura na Missa, levar a vela ao altar e, à noite, ser a oradora da turma.
No dia seguinte, no baile, estávamos todos radiantes. Meu pai é um “pé de valsa”, como se diz no Brasil para uma pessoa que dança muito bem. Assim foi maravilhoso dançar a valsa com ele. Depois ele dançou com minha mãe, que ficou feliz em relembrar os tempos em que os dois iam juntos aos bailes, antes de se casarem.
Quando eu tinha 20 anos, sonhava ser Jornalista ou Assistente Social. Logo percebi que não poderia realizar nem um nem outro sonho, uma vez que, na Universidade, só se podia estudar durante o dia e eu precisava trabalhar o dia todo. Tive que mudar meus planos e muitos anos depois, fui estudar à noite em uma faculdade particular. Decidi estudar Psicologia porque, como as outras duas profissões, é um trabalho diretamente ligado às pessoas. O trabalho com os seres humanos é bom, embora seja difícil, pelo fato de as pessoas terem a personalidade tão diferente, umas das outras.
No Brasil, trabalhei como Secretária em um colégio e depois como Assistente Administrativa em uma firma, durante muitos anos. Trabalhei alguns anos, como Psicóloga, em um consultório de Psicoterapia.
Meu lema é: “Quem sonha, realiza”. Quando se tem um sonho e se faz algo para realizá-lo, se consegue. No meu caso, não consegui ser Jornalista, pelos motivos que citei acima. Há alguns anos, fui convidada para trabalhar em uma Rádio de Ulm, como Hobby. Seria em português, a título de promover a cultura do Brasil e dos outros países de língua portuguesa. Aceitei o convite e me dedico bastante, procurando me atualizar sempre. Faço o programa com responsabilidade, pois é algo que me dá prazer. Assim posso realizar um sonho, indiretamente.
Quanto ao Serviço Social, ainda estou me organizando. Atualmente trabalho com crianças e isto me ajuda a conhecê-las melhor.
Há dois anos comecei a dar aulas de catecismo. É gratificante ver como as crianças se interessam em aprender coisas sobre a vida de Cristo. Cada vez que me preparo para as aulas, entendo um pouco melhor a Bíblia.
Sinto-me feliz em realizar este trabalho voluntário junto à Igreja Católica. Quando participo de cursos de aperfeiçoamento, me sinto integrada com o grupo de trabalho e agradeço a Deus, por ter-me colocado em contato com as pessoas da comunidade de língua portuguesa de Ulm. Quando eu morava, há poucos meses, em Ulm, minha sogra leu no jornal sobre as Missas em português. Então foi comigo à Igreja, e quando conversei com as pessoas que lá estavam, soube que havia um Coral. Perguntei à maestrina se poderia participar e ela concordou. Fui aceita pelo grupo e estou lá até hoje. Canto com alegria e me sinto realizada em poder glorificar a Deus no meu idioma, aqui na Alemanha.
Já que estou falando em Deus, é Ele que me dá saúde e me orienta na melhor maneira de organizar minha vida.
Os anos vão passando e novos sonhos vão surgindo. Atualmente, estou interessada em escrever livros. Estou estudando e me preparando para isto. Meu primeiro livro deve conter temas variados para reflexão, pois já tenho alguns textos prontos, os quais escrevi para o Boletim da Igreja.
Sou bastante tranquila, não sei trabalhar muito rápido e isto é difícil para quem convive diariamente comigo, pois alguns parecem ter bastante pressa. Às vezes, sou um pouco teimosa e um pouco distraída, como se meus pensamentos estivessem longe.
Sou uma pessoa alegre e normalmente tenho um sorriso nos lábios, quando cumprimento as pessoas e assim me parece mais fácil aproximar-me delas. Depois que minha mãe faleceu, pensei que não iria sorrir nunca mais. Reconheço que foi difícil aceitar, mas Deus me iluminou para eu voltar a sorrir, embora eu sinta muita saudade dela. Sei que onde minha mãe estiver, vai gostar de saber que eu consegui elaborar essa perda.
Sou comunicativa e me considero fácil de fazer amizades. Procuro ser franca e gosto que sejam francos comigo também, mas nem sempre consigo isto das pessoas com quem convivo. Consigo entendê-las, pois há situações nas quais não se deve dizer a verdade.
Não gosto de pessoas fingidas e muito críticas.
Admiro as pessoas inteligentes e que organizam bem suas vidas, aproveitando as oportunidades e realizando seus sonhos.
Tenho alguns Hobbys, dos quais gosto muito: ler, escrever, cantar no Coral, fazer meu programa de rádio, ir ao cinema ou ao teatro e dançar em casa.
Além disso, gosto de trabalhar, viajar com meu marido e de estar com as pessoas da minha família.
Conheço muitas pessoas simpáticas em Ulm, com as quais gosto de conversar e trocar idéias. Uma delas é você, Ana Cláudia. Nós nos conhecemos na casa da Ilza, uma brasileira que conheço há alguns anos e que é muito especial para mim. Acho que foi no aniversário dela que conheci você, se não me falha a memória. Agora, você faz parte das pessoas importantes que conheço, pois gosto das suas idéias e da sua personalidade. Cada uma de nós tem seu trabalho, suas atividades diárias, suas obrigações de dona de casa e esposa; por isto ainda não nos encontramos muitas vezes. Mesmo assim, temos amizade e sei que não é por acaso, pois Deus prepara as pessoas para se conhecerem. Espero que esta amizade se fortaleça, pois é ótimo conhecer alguém especial como você, principalmente quando se está tão longe do próprio país. E poder falar um pouco em português faz muito bem. Sei que a família é muito importante e procuro dar valor à minha. Mas devemos ter contato com outras pessoas também.
Espero ter colaborado para “enriquecer” as páginas do seu livro, com partes da minha história de vida.
Você parece uma pessoa muito dinâmica e que tem vários ideais. Desejo que realize seus sonhos. Que Deus lhe dê saúde e felicidades, junto a seu esposo e a toda a sua família.


Um abraço,

Lucimar





sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pessoas da minha vida

Meus amigos e amigas,

No princípio a idéia era reunir 40 relatos (histórias) de mulheres que foram e são, importantes na minha vida. Entretanto, conversando com algumas pessoas, percebemos que é importante ir além e ouvir também o sexo masculino.
Por isso estarei criando paralelamente ao blog: http://40mulheresdaminhavida.blogspot.com, outro blog que terá além dos relatos femininos os masculinos também. Peço gentilmente que se possível encaminhem até a data do meu aniversário 20.09 os textos. Data que estarei lançando oficialmente o novo blog.
É importante que escrevam um pouco sobre vocês, quem são, o que fazem e claro um pouco da nossa relação (como nos conhecemos, significado do nosso encontro na sua vida (se houver)), aproveitem ainda para expressar sentimentos, as vezes ocultos, mas que mostram quão única e especial e cada um de vocês.
Com isso quero organizar 1 livro, ter a história de vocês nos meus 40 anos, registrada, tem a finalidade de celebrar, agradecer e partilhar a vida.
Claro que este é um convite oficial para você, espero que possa fazer parte do registro desta história! Mas cuidado não vá escrever o sua biografia de vida, eu preciso formatar, organizar tudo isso! Não quero dar modelos prontos, quero liberdade de expressão, criatividade e disponibilidade. Mas conto com o seu discernimento.
Peço a gentileza também de me enviar algumas fotos suas. Quero ter a sua imagem guardada na memória e na memória das gerações futuras.
O prazo para o envio dos relatos é até 20 de setembro de 2010. Afinal é a data do meu aniversário. Todo material vai passar por correção, mas antes da edição final faço questão de apresentar antes à todos.
Espero que você não deixe pra última hora o meu presente!

Um grande abraço,

Ana Cláudia
E-mail: anapj@uol.com.br

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Claudia, uma história de superação






Bem como começar...
Eu sou a Claudia e vou falar um pouco da minha vida e de como nossas vidas se encontraram... rs. Bem, completei 30 anos em Dezembro passado, pode se dizer que tenho uma vida na igreja... Desde que me entendo por gente, freqüento a comunidade Nossa Senhora das Graças (NSG). Foi lá onde me batizei e me crismei, conheci amigos, fiz algumas inimizades, encontrei um grande amor e é lá que muito em breve irei me casar...
Meus pais são bem atuantes na comunidade, e quanto a mim, tive momentos. Momentos em que eu estive completamente envolvida e atuante, e outros em que eu mal participava das missas. Eu acredito que isso se classifica como fases da vida. Foi ainda criança que minha família junto a outras famílias começou a se reunir para passeios, almoços, jantares, festas, viagens, etc... foi um período muito feliz da minha infância. Conforme nós íamos crescendo, continuávamos a frequentar os eventos. Participei com a Ana de algumas semanas culturais na catedral, gostava de ver os jovens da igreja, eu os admirava por eles parecerem tão felizes juntos. Quando fui me crismar, decidi chamar a Ana para ser minha madrinha, pela nossa proximidade e pelo seu trabalho na Pastoral da Juventude. Eu continuei participando na NSG e vez ou outra nos encontrávamos nos eventos da pastoral.
Passou um tempo e saí do grupo de jovens, o motivo, acredito que tenha sido por discordar da forma “Tão Política” que eles estavam seguindo. Nesse meio tempo, uma amiga veio a falecer, vítima da violência do nosso bairro. Seu nome era Camila, foi muito triste sua perda para toda a nossa comunidade, tanto que para ajudar na cicatrização dessa ferida, a Gilma, mãe da Camila, fundou a Associação Camila, que junto com o Centro social N.Senhora das Graças tinha o propósito de valorização da vida.
Eu entrei na Faculdade, conheci gente nova, comecei a trabalhar e na correria do trabalho e do estudo, deixei um pouco de lado a igreja. Fui a muitas baladas e festas e shows... foi muito divertida essa fase.
Num belo dia, resolvi voltar às origens: voltei a participar do PIC, das missas, entrei numa banda de música Sacra, o Mistura Diocesana, tocava nas missas, no carnaval de Jesus, em festival de música e no Congresso que sediamos aqui em Osasco. Também ajudei em outras áreas do Congresso. Foi uma semana maravilhosa. A partir dele, fiquei bem vista na região, fui cogitada a ser coordenadora da Diocese, mas achei muito para mim e continuei participando e ajudando na Pajupa e na Região. A banda nesse meio tempo seguia a todo vapor. Foi nesse período também que conheci um grande amor, o TOM, uma pessoa muito importante na minha vida que me ensinou muito, ele era um talentoso músico, muito sensato, que deixou muita saudade não só em mim, mas em todos os seus amigos e familiares. Começamos a namorar e participávamos da mesma banda, mas ele tinha uma outra banda que tocava em bares na cidade. Como nem tudo é flores, houve muitos desentendimentos e a banda acabou por se dissolver, embora hoje ainda tenham alguns integrantes que continuam em algum ministério de música.
Em 2005, pensei que não suportaria, foi uma perda muito significativa. Meu grande amor, o Tom, veio a falecer por atropelamento na rua de sua casa. Tínhamos tantos planos juntos, nós estávamos pagando um apartamento. Foi como se eu tivesse sido jogada num filme em preto e branco, nada mais fazia sentido, eu vivia por viver, nada tinha graça. Fiz terapia, tive ajuda por 2 anos com psicólogo, fora todo o apoio da minha família e de meus amigos. Hoje só tenho a agradecer por eles terem estado ao meu lado o tempo todo, estou super bem, sinto saudades, mas não fico mais triste com sua ausência, pois tenho certeza de que ele está bem.
A vida seguiu e muitas coisas boas aconteceram em minha vida de lá para cá. Dizem que depois da tempestade vem sempre a bonança e hoje vivo essa calmaria... e acredito que seja isso mesmo. E desses bons frutos que a vida tem me dado, tive a honra de cantar no casamento da Ana Claudia e do Ralf. Foi muito gratificante poder partilhar de um momento tão especial em sua vida, e ainda pegar o seu bouquet na festa... Foi muito divertido...
Aquele bouquet me rendeu uma pessoa maravilhosa, que depois de alguns meses passou de um amigo a um namorado muito carinhoso e atencioso. Seu nome é Renato, estamos há pouco mais de 2 anos juntos e agora em outubro vamos nos casar e formar uma linda família. Está é minha vida, minha história. Ainda tenho muitas páginas a serem preenchidas, pois ainda não realizei todos os meus sonhos e meus objetivos, o futuro a Deus pertence, mas tenho fé de que ele estará repleto de coisas boas e pessoas boas ao meu lado.

E a Ana, que fez parte da minha vida na minha infância e adolescência, foi minha madrinha de crisma, justamente por admirá-la e saber da importância do seu trabalho para todos os jovens que acreditava no ideal da Pastoral da Juventude, pela coragem de deixar familiares e amigos para constituir uma nova família em um país distante do seu, ensinou não só a mim, acredito eu, mas a tantos outros jovens a trabalhar ao lado de outros jovens, e mostrar que podemos fazer diferença em todos os lugares que freqüentamos, seja a nossa casa, a igreja, o trabalho, qualquer lugar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Célia, uma história de determinação

No distante ano de 1956, nasci no bairro da Lapa, São Paulo.

Filha de um humilde casal recém-chegado do Estado de Sergipe,,tive uma infância pobre, porém feliz. Às vezes faltava o supérfluo, mas nunca o pão, o amor, a dignidade, a fé, a esperança. Tínhamos tão pouco, que tudo o que acontecia, por mais trivial que fosse, tinha ares de grande evento:
  • O banho diário, de caneca, numa enorme bacia de alumínio, era pra “ficar cheirosa e bonita pra esperar o papai chegar do trabalho”.
  • Folhas de jornal no chão de vermelhão serviam pra conservar o brilho conseguido com escovão sobre a cera Cardeal, até o domingo, quando viriam visitas.
  • O chuchu da janta era muito mais gostoso porque eu o colhia no pé.
  • Ainda soam nos meus ouvidos a música “Índia” e outras, que meus pais cantavam à noite, acompanhados do violão.
  • Sempre havia um tempinho pro meu pai me contar uma fábula ou uma história da Bíblia ilustrada.
  • Lembro dos 5 bibelôs de louça sobre a penteadeira: duas meninas, duas bailarinas, um elefante.
  • As panelas reluzentes...
  • as novelas de rádio...
  • Minha avó costurando meus vestidinhos...
  • os cachinhos que minha mãe fazia, um a um, no meu cabelo.
Que diferença faz não ter o supérfluo?
Fui e ainda sou uma aluna dedicada, uma filha amorosa, uma católica fervorosa, uma amiga verdadeira. Fui um membro muito ativo da Comunidade Jovens Amigos de Cristo, no Jaguaré.
Para se trabalhar num banco nos anos 70, não era necessário o nível de escolaridade que hoje é exigido. Entrei no Bradesco aos 17 anos, apenas com meu Ginásio (que hoje é conhecido como Ensino Fundamental), e um curso de datilografia. Lá conheci o Nelson, meu 1º namorado, com quem me casei aos 20 anos.
Três anos depois nasceu o Ivan, e então resolvi parar de trabalhar pra cuidar pessoalmente dele.
Dois anos mais tarde, nasceu a Priscilla, e eu fui ficando em casa, cuidando dos meus amores.












Aproveitei esse tempo para aprender algumas coisas: artesanato, culinária, teologia, informática, chocolate, confeitos...
Em 1990 realizei um sonho de infância: minha família e eu ingressamos no Movimento Escoteiro. Foram anos de dedicação, aprendizado, conquistas de amizades e de saberes, que em muito me fizeram crescer como pessoa. É um lindo movimento.
Mudamos para Osasco em 1991. Gostamos tanto desse município, que parece que sempre fomos daqui. Bem, pra falar a verdade só o que me faltava era “morar” em Osasco... pois aqui trabalhei por 7 anos no Bradesco, conheci meu marido, meus filhos nasceram e sempre estudaram nas escolas osasquenses, o Grupo Escoteiro Tuidara é osasquense, adoro o calçadão, enfim... só o que faltava mesmo era morar por aqui.












Quando fiz 40 anos, resolvi fazer o Ensino Médio. Depois de concluir o curso, trabalhei como funcionária temporária numa financeira e numa construtora.
Aos 46 anos decidi levar mais a sério esse negócio de voltar ao mercado de trabalho. Resolvi então prestar um concurso pra pajem. Foi nessa ocasião que conheci a Ana Cláudia. Cursamos juntas o Magistério, curso que garantiu a transformação do cargo de pajem para o de Professora de Desenvolvimento Infantil, o que sou até hoje. Amo o que faço. Me divirto. Pena que o corpo já não acompanhe mais tudo o que a cabeça “inventa de fazer”.
Em 2009 prestei um vestibular pra Pedagogia e ganhei uma bolsa de 100%. Estou cursando e amando tudo o que tenho aprendido. Ultimamente não tenho me dedicado muito à religião a ao escotismo. Para falar a verdade, nem às minhas obrigações domésticas. Mas também, o dia só tem 24 horas... o que é que eu posso fazer?!
Contando assim, rapidamente, dá impressão de que esses 54 anos passaram sem turbulências, dificuldades, tristezas, erros, etc. Não foi nenhum mar de rosas, mas a vida me ensina a cada dia que Deus nunca dá a seus filhos um fardo mais pesado do que eles possam carregar. Ultimamente me entristece ver meu pai meio desmemoriado depois de um AVC, mas agradeço a Deus pela força, saúde e determinação de minha mãe. São uns fofos; muito amados mesmo. E eles continuam me amando muito, me ensinando muito, cuidando muito de mim.
Meus filhos cresceram, e graças ao Senhor, são pessoas do bem. São o grande presente que a vida me deu.
Então acho que é isto... esta sou eu: uma mulher vivida, otimista, que adora música, crianças, flores, igrejas, café, karaokê, montanhas, cores berrantes, Malzbier, galinha d’angola, anta, praia, livros, palavras cruzadas, baralho, sorriso, abraço, a família, os amigos, e sobretudo Deus.
Posso me definir como sendo uma mulher amada por muitas pessoas por ser como sou, e odiada por outras pelo mesmo motivo.
Era pra ser só mais uma colega de trabalho. Nada mais que isso. De repente um sorriso... desses que contagiam, conquistam, enternecem. Como ficar indiferente à presença de alguém que exala confiança, bondade, força e fé? Como não se deixar envolver por alguém que nos conforta, inspira, alegra e estimula? Ana Cláudia é isso: a amiga que sentimos sempre por perto, mesmo que esteja a milhares de quilômetros de distância. A pessoa que parece contrária a tudo o que buscamos. A que cochila no meio do diálogo. A que se mete em encrenca para defender as amigas. A que chora diante de uma injustiça, mesmo quando o injusto é visivelmente mais fraco. Ela poderia sacar do baú de seus conhecimentos os argumentos suficientes para derrubar os daquela pessoa desagradável... mas prefere as lágrimas, a humildade, o respeito. Porque faz parte de sua personalidade conjugar o verbo respeitar. Faz parte do seu jeito de ser, combater o mal com o bem, levantar a bandeira branca, sorrir nas dificuldades, amar quem resiste aos melhores sentimentos.
Quando éramos pajens, trabalhávamos na mesma sala, com as mesmas crianças: ela de manhã e eu à tarde. Entre meio-dia e uma hora ela me passava as novidades do dia e eu contava o que tinha acontecido na tarde anterior. Aí chegava a hora dela ir embora. As crianças dormindo. Enquanto as outras colegas da unidade não viam a hora de ir embora, ela começava o ritual de dar tchau para as crianças dormindo... jogava beijo... distribuía a ternura com o olhar... deixava o amor quando partia... me deixava forte. E eu ficava pensando: “Por que uma menina tão culta, tão inteligente e com tantos saberes se submete a este serviço? Ela poderia estar ganhando bem em outro emprego, poderia ser qualquer coisa que quisesse..” . Neste caso então, minha pergunta já trazia em si a resposta: poucos são os privilegiados que podem ser o que querem, poucos são os que amam o que fazem. Fazendo aquele trabalho tão humilde, ela era feliz, amada pelos pequenos, respeitada pelos sensíveis, invejada pelos desprovidos de consciência.
Um dia fui assistir a uma palestra que ela daria num curso na Catedral de Osasco. De repente minha pequena e humilde amiga Ana empunhou um microfone. E diante dos meus olhos surgiu aquela Ana enorme, cheia de sabedoria, conhecimento e alegria. Me encheu de orgulho. Ao final da palestra, tive que me conter pra não levantar e gritar: “ELA É MINHA AMIGA, VIU, PESSOAL?”
E o casamento dela, então? Inesquecível!!!! Um frio do caramba. Antes dela chegar a Priscilla perguntava: “Mãe,que frio!!! Será que a Ana Cláudia vai precisar casar de sobretudo?” Mas que nada... ao som da Rosa Vermelha lá vem minha amiga distribuindo sorrisos e aquele calor que só ela sabe transmitir. E leu, cantou, dançou, se emocionou, nos emocionou, enfim: mostrou que sabe viver sem vergonha de ser feliz. Quem a ama de verdade compreendeu e curtiu junto.
<!--[if !vml]--><!--[endif]-->Hoje a Ana mora tão longe de mim, mas graças à tecnologia nos comunicamos com certa freqüência, e apesar da distância estamos e somos muito próximas.
Era pra ter sido só minha colega... mas Deus achou que eu merecia ter uma irmã assim!!!!

Te amo, Ana.